No texto abaixo, Sinclair Ferguson responde a
pergunta: “o que o preocupa na igreja protestante moderna?”. Ferguson aponta
(1) o pragmatismo, (2) o culto à personalidade, (3) a falsa qualidade do culto,
(4) a mudança da era do pregador para a era do líder de louvor e do conselheiro
e (5) a falta de oração. Apesar de Ferguson apontar a realidade estadunidense
no qual ele está inserido, cremos que os pontos são pertinentes para a igreja
brasileira. Reflita.Eu tento não me concentrar tanto ou por muito tempo nas
coisas desanimadoras que vejo, simplesmente porque penso que devo ser cuidadoso
para não me tornar ressentido e cínico. Por ser escocês, já tenho tendência
nativa suficiente para ser melancólico! Mas, é verdade que há muitas coisas
para causar preocupação. A passagem exposta na minha ordenação ao ministério do
Evangelho foi 2 Coríntios 4:1-6, e tem me servido como um guia desde então.
Paulo diz que ele renunciou não somente os caminhos vergonhosos ou
dissimulados, mas que ele também não “faz” algo simplesmente porque “funciona”.
Em vez disso, ele expõe a verdade, e o faz de tal forma que a verdade do
Evangelho e sua própria integridade estejam claras. Por outro lado, nós nos
tornamos uma igreja muito pragmática; temos uma sede pelo tamanho (maior é
visto como melhor.)Nós também temos semeado um culto à personalidade e ao guru.
Tenho visto materiais do comitê de indicação pastoral declarando sem rodeios
que eles precisam de um “comunicador extraordinário” para ser seu ministro.
Muita da nossa filosofia tem de fato se tornado muito mundana.Uma evidência
recente disto está na tranquilidade em que alguns cristãos hoje falam sobre “a
qualidade do nosso culto.” Mas ao contrário de seus antepassados, eles cultuam
somente uma vez no domingo. Muitos pastores sabem que um culto noturno não
teria muita presença por todos os tipos de razões que eu acho que não serviriam
diante do Deus do universo que é digno de ser louvado e adorado, por toda
eternidade! Pergunto-me o que Ele pensa da qualidade donosso culto*.Também me
preocupa que estamos vivendo na era do líder de louvor e do conselheiro ao
invés do pregador (o que fazemos e sobre o que falamos – infelizmente
geralmente sobre nós mesmos – tem prioridade sobre Deus falar conosco).Novamente,
há a falta da oração e da igreja que ora. Para mim isto é o mais preocupante,
por esta razão: Temos construído igrejas aparentemente fortes, grandes, bem
sucedidas e ativas. Mas muitas de nossas igrejas nunca se congregam para orar.
Ressalto: nunca! O que isso indica que dizemos sobre a vida da igreja como uma comunidade?
Por outro lado, a marca do verdadeiro espírito apostólico na igreja é que nos
entreguemos juntos à oração e à Palavra (Atos 6:4). Não me espanta que “crescia
a palavra de Deus, e [...] se multiplicava o número dos discípulos” (Atos 6:7).
Sendo assim, não deveria nos surpreender que enquanto muitas igrejas veem o
crescimento, geralmente este é uma reposição de números, não de conversões.
Desejo fortemente que nossas igrejas aprendam a manter as coisas principais no
centro, que aprendamos a sermos verdadeiras igrejas, calorosos companheiros de
oração, de ensino e ministração do Evangelho, e de amor mútuo genuíno. No final
do dia, tal Igreja só precisa “ser” para que visitantes sintam que essa é uma
completa nova ordem da realidade e sejam atraídos a Cristo.
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